Responsabilidade financeira é um tópico cada vez mais importante no dia a dia de todas as pessoas. Mesmo que dívidas e falta de disciplina não sejam temas novos, eles são sempre atuais e se renovam com o passar dos anos. Por isso, aprender a elaborar um orçamento familiar é fundamental para qualquer um, seja um solteiro morando sozinho, um casal novo ou mesmo um que já tenha filhos.

Claro, o tema é mais profundo do que aparenta. Há muitas coisas que você pode e/ou deve fazer para melhorar as finanças da sua família, tanto no curto quanto no longo prazo. Não se trata apenas de “cortar um pouco da conta de luz” (apesar de isso ser importante). Envolve um esforço conjunto para que todos possam aproveitar as férias, comer fora de vez em quando e não ter que passar sufoco em caso de emergência.

A questão aqui é como conseguir atingir esse propósito. Se fosse tão fácil assim, ninguém precisaria desse tipo de conselho, não é? Bem, na verdade, apesar de ser uma tarefa simples, ela exige bastante conhecimento. E se você pretende partir para um estágio avançado, como investimentos familiares, vai precisar de algo a mais.

Por isso, viemos ajudá-lo. Vamos falar um pouquinho da importância dessas finanças, como você pode cuidar melhor do seu orçamento e o que fazer para elevar seus resultados. Acompanhe!

1. A importância do orçamento familiar

Acho que já deixamos isso claro desde o começo, mas é sempre bom reforçar. Afinal, muitas pessoas esquecem de cuidar de suas vidas financeiras, apesar de todos os conselhos. Para enfatizar ainda mais esse tópico, trouxemos algumas das principais razões para tomar cuidado ao administrar esse orçamento. Confira!

1.1 Garantir estabilidade no médio e longo prazo

Ainda que você tenha um bom emprego hoje e banque todas as suas despesas, nunca se sabe como será o dia de amanhã. Mudanças no mercado, remanejamento dentro de empresas ou crises mais abrangentes podem dificultar muito a sua vida por um tempo. Porém, esses cenários só são “o fim do mundo” para aqueles que não se preparam adequadamente. Com algum planejamento, sua família pode passar longe desses sufocos.

Um exemplo clássico é a sua previdência. Quando a velhice chegar, você não vai querer depender demais de seus filhos e netos. É sempre melhor manter a autonomia. Mas, para isso, é preciso planejar seu orçamento e reservar uma porcentagem para esse tipo de reserva. Se puder fazer isso agora, certamente sua família vai agradecer no futuro.

1.2. Estabelecer as prioridades da família

O primeiro erro que a maioria das pessoas comete ao lidar com o orçamento familiar é apenas pensar no que é necessário para hoje, se terão o suficiente para cobrir algumas despesas, sem pensar no que pode acontecer no futuro. Será que você vai precisar desse dinheiro para pagar alguma conta depois? As crianças vão precisar de material escolar? É melhor economizar para alguma despesa médica? Estas são perguntas que sempre devem ser feitas antes de comprar uma TV ou carro novo, por exemplo.

Conversar com o resto da família e estabelecer as prioridades para as contas pode te livrar de muitas dores de cabeça. Assim, você sempre saberá que suas despesas importantes estão cobertas antes de começar a gastar com as regalias, como restaurantes, jogos, idas ao cinema etc. E, sempre que alguém ficar em dúvida, é só conferir sua lista para ter a resposta.

1.3. Ensinar os filhos a ter responsabilidade financeira

Algo importante nesses planejamentos é integrar todos os membros da família nas discussões. E com “todos” nós também estamos falando das crianças. Elas podem não ter o mesmo conhecimento ou maturidade para tomar decisões responsáveis com dinheiro ainda, mas nunca é cedo demais para ensiná-las a lidar melhor com suas finanças, mesmo que essas informações não sejam usadas imediatamente.

Nesse cenário, você deve tornar a administração das contas algo parecido com uma “reunião de família”. Em vez de sentar sozinho para pensar em como cortar gastos, converse com todo mundo ao redor de uma mesa e discuta o que cada um pode se comprometer a fazer. Coisas pequenas, como tomar banhos curtos e mudar os passeios familiares para algo mais barato, têm um impacto significativo no seu orçamento. E, conforme já mencionamos, os jovens vão aprender lições importantes sobre a administração do próprio dinheiro quando for necessário.

2. Motivos para ter uma planilha de orçamento familiar

Um dos métodos mais utilizados para administrar as finanças é a planilha. Basta criar um documento de Excel com três colunas: uma para entradas, uma para saídas e uma para o valor final. As quantias em cada uma são somadas pelas fórmulas do aplicativo e você obtém o resultado.

Apesar disso, nem todos usam esses recursos em favor próprio, o que é um grande erro. Com algo tão prático à sua disposição, deixar de aproveitar essa ferramenta é um desperdício de energia.

Ainda não está convencido? Aqui estão 3 bons motivos para usar uma planilha nesse momento!

2.1. Controlar entradas e saídas

Sim, esta é a função principal da ferramenta: garantir que você sempre saiba o que gastou e o quanto ainda tem disponível na sua conta. Há algumas variações da planilha que oferecem dados detalhados, como as mudanças nas entradas ou despesas ao longo daquele tempo. Mas essas informações básicas já são suficientes para lidar com um orçamento familiar simples.

Sem esse registro, você provavelmente vai gastar mais do que pode sem perceber. Mesmo que em geral você consiga controlar suas finanças de cabeça, sem sofrer prejuízos, nunca se sabe quando um dígito sairá errado na sua memória. E isso costuma custar caro. É melhor se prevenir com uma planilha de registros do que esperar que algo dê errado.

2.2. Compartilhar informações importantes

A grande diferença entre um orçamento de família e um individual é que algumas pessoas vão precisar conferir esses números além de você. Afinal, o seu pagamento pode não ser a única fonte de renda, e certamente há outros destinos para esse dinheiro além dos seus. E, quanto mais pessoas estão envolvidas, mais difícil é garantir que todos tenham acesso a dados atualizados — pelo menos por meio dos métodos tradicionais.

É aí que entra uma das principais funcionalidades de uma planilha virtual: o compartilhamento de dados. Com um arquivo armazenado na nuvem, você pode facilmente permitir que toda a família verifique os números e faça as alterações necessárias. Os dados serão atualizados de imediato, o que evita que alguém use o dinheiro comum sem saber se ele será ou não necessário para alguma outra finalidade. Seja para assuntos pessoais ou para discutir orçamento, a comunicação é essencial.

2.3. Ter um histórico de desempenho

Depois de investir tempo e esforço na elaboração do seu orçamento familiar, você certamente vai querer saber se tudo deu certo ou não. Mas como avaliar o desempenho das suas finanças ao longo de vários meses? Simples: separe o registro em uma página diferente a cada mês e olhe todas as que foram feitas até então. Será bem mais tranquilo comparar suas economias ao longo do tempo dessa forma.

Além disso, é interessante marcar certas despesas inesperadas e aquelas que não fazem parte dos seus gastos fixos. Assim também é possível ver se está gastando mais do que o necessário em áreas específicas, o que vai ser bem útil na hora de ajustar seu orçamento no futuro. Pode parecer um acúmulo de trabalho agora, mas isso vai facilitar a tarefa daqui a alguns meses.

3. O passo a passo para criar o orçamento da família

Depois de mencionar todos os pontos acima, já é hora de dar algumas orientações diretas e práticas, que você possa aplicar no seu dia a dia. Então, sem mais delongas, vamos fazer um passo a passo com tudo que você precisa fazer para garantir controle ao seu planejamento financeiro familiar

3.1. Faça o diagnóstico da sua saúde financeira

Antes de tomar qualquer atitude em relação ao seu orçamento familiar, o ideal é se perguntar: será que minhas finanças estão saudáveis? Elas estão bem-nutridas recentemente? Receberam a atenção de que precisam? Passaram por algum problema repentino? É hora de fazer meu dinheiro trabalhar ou ele ainda precisa crescer mais um pouco? Todas essas questões são muito importantes para diagnosticar sua situação e evitar que você tome alguma decisão ruim.

O termo “saúde financeira” envolve uma série de condições. Ausência de dívidas, poder arcar com todas as suas contas, ter um pequeno excedente, conseguir acumular um pouco para momentos de emergência, entre outras coisas. Saber em qual ponto desse espectro você está é fundamental. Não é adequado começar algum grande investimento sem ter um contexto bem estável.

3.2. Levante o que pode ser cortado

Esta é, provavelmente, a primeira solução na qual várias pessoas pensam quando precisam guardar dinheiro. É uma boa atitude, claro, mas nem sempre é bem direcionada. Por exemplo, alguém resolve regular o tempo de todas as pessoas assistindo TV para gastar menos energia ou o quanto de arroz pega para comer, por exemplo. Como você já deve imaginar, isso não é nada agradável para a família e não contribui muito para o corte de gastos.

O corte de custos deve ser pensado de forma mais fria, sempre na ponta do lápis. Converse com sua família e monte uma lista de prioridades no orçamento. Com ela, é possível determinar quais são os gastos que podem ser cortados em uma emergência, quais devem ser eliminados imediatamente e o que pode ser sacrificado sem comprometer ninguém. 

3.3. Reduza os gastos desnecessários

Como acabamos de mencionar, sua lista de prioridades inclui os itens que não deveriam estar lá. Aqueles gastos que você precisa cortar urgentemente ou diminuir o suficiente para que não te afetem de maneira negativa. Todas as famílias têm algum desses e precisam estar cientes disso na hora de elaborar o próprio orçamento.

De forma geral, os custos que você deve diminuir são os excedentes, os supérfluos. Alguém pega táxi ou Uber com frequência? Talvez seja melhor comprar um bilhete único ou mesmo comprar um carro. Estão pedindo muita pizza nos fins de semana? Que tal juntar todos para cozinhar alguma coisa em casa?

Esses cortes de custo não precisam ser uma “sangria”. Eles podem ser uma oportunidade de encontrar outras formas de se entreter dentro do seu limite financeiro. Use a imaginação e logo você verá como não é difícil conseguir algumas regalias sem comprometer todo o seu dinheiro.

3.4. Controle os gastos que são fixos

Em alguns casos, cortar os excessos não é suficiente para equilibrar seu orçamento familiar, em especial se alguma das suas fontes de renda anda secando ultimamente. Nessas horas, você precisa de um plano para diminuir inclusive os gastos necessários, como aluguel, transporte, alimentação e saúde. Pode ser um pouco difícil a princípio, mas é melhor estar preparado caso isso ocorra.

Os exemplos comuns são os cortes nas contas regulares, como luz, gás, água e telefone. Basicamente, todos na família são orientados a economizar, apagando as luzes quando não são usadas, fechando a torneira enquanto escovam os dentes etc. Dê outro passo e você pode cortar despesas com transporte vendendo seu carro e optando pelo transporte público. Avance um pouco e pode diminuir o custo com aluguel, condomínio e similares se mudando para uma casa mais em conta.

O importante aqui é ter uma noção clara do que é absolutamente necessário para manter tudo funcionando. Em alguns casos, um carro é essencial para que todos cheguem no trabalho ou na aula na hora certa, por exemplo. Mais uma vez, tudo é uma questão de avaliar prioridades e entender o que cada um é capaz de sacrificar para manter um orçamento equilibrado.

3.5. Faça planos de curto, médio e longo prazo

Em muitas situações, o que impede uma família de juntar dinheiro é justamente a falta de um bom motivo, um objetivo. Mesmo que seja necessário cortar alguns custos e economizar para uma emergência, isso fica difícil quando não há uma forma de medir o seu sucesso. Ou vocês farão tudo errado sem perceber ou vão exagerar e acabar com mais dinheiro guardado do que precisam.

Pensar no futuro é algo básico no planejamento de um orçamento familiar. Mas o quão distante deve ser essa visão? Bem, não há uma regra fechada para isso. Pode ser um plano para daqui a um mês, um ano ou uma década. Na verdade, você pode criar esquemas e projeções para todos esses períodos. Veja aqui alguns exemplos:

  • curto prazo: é um plano que deve ser concretizado em até 1 mês, de forma realista. Pode ser algo simples, como diminuir as despesas fixas, estabilizar sua renda, juntar um pouco para poder sair com a família de vez em quando. Coisas relativamente pequenas e imediatas;
  • médio prazo: aqui você já entra em objetivos um pouco maiores, com prazo de até 1 ano. Por exemplo, economizar para fazer uma viagem ou conseguir um trabalho que aumente a renda conjunta. Esse tipo de plano exige mais coordenação com seus objetivos de curto prazo;
  • longo prazo: por fim, você também pode ter algo maior em mente, que só será concretizado daqui a alguns anos. Se aposentar com bastante conforto, conseguir uma casa própria, consolidar uma empresa de sucesso etc. Tendo esses como seus objetivos principais, você terá que adequar parte de suas metas de curto e médio prazo para conseguir algo maior no futuro.

A divisão desses 3 tipos de objetivo vai ajudar a sua família a se coordenar ao longo do tempo. E, com prioridades bem-estabelecidas, você também saberá o que pode ou não ser adiado em cada período, caso ocorra alguma emergência.

4. Como incentivar e manter o cumprimento do orçamento

Nenhum orçamento familiar depende exclusivamente de uma pessoa. Ainda que você seja a principal fonte de renda, os outros têm a mesma responsabilidade na hora de equilibrar as despesas e fazer bom uso do dinheiro comum. Porém, em alguns casos, pode ser mais difícil incentivar todo mundo a ficar dentro do planejado.

Felizmente, há algumas coisas que é possível fazer para conseguir a colaboração de todo mundo. E elas nem vão te custar muito mais dentro do orçamento! Aqui estão duas opções que você pode seguir e como elas vão te ajudar.

4.1. Planeje pequenas recompensas

Um objetivo de longo prazo exige esforço e sacrifícios por bastante tempo. Mas isso também pode frustrar bastante as pessoas envolvidas. Quem nunca se sentiu tentado a abandonar um planejamento que foi cumprido com tanta diligência até agora porque ele impede que você curta algo imediatamente, como um show ou uma viagem? É um sentimento bem comum, e que pode atrapalhar bastante seus resultados.

Porém, a solução para isso não é apenas “cortar a diversão e se manter disciplinado”. Pelo contrário: gastar um pouco com regalias pode contribuir com o seu orçamento familiar no médio e longo prazo. São essas recompensas que vão manter todos motivados e envolvidos no planejamento por mais tempo. Basta ter em mente duas coisas:

  • essas recompensas devem ser pequenas. Afinal, você não vai querer uma comemoração que comprometa todo o seu esforço;
  • só há prêmio se as metas forem cumpridas: afinal, se o orçamento familiar não foi devidamente equilibrado até agora, não é hora de gastar mais. Essa é a hora de revisar seus planos para torná-los realistas.

4.2. Seja aberto em relação a possíveis problemas

Um erro que muitos cometem ao lidar com problemas financeiros é não contar com a ajuda do resto da família nesse processo. Mesmo que não haja ninguém capaz de colocar dinheiro no orçamento agora, todos podem contribuir de alguma maneira para facilitar seu cumprimento. Seja cortando gastos, aceitando abrir mão de algumas regalias etc.

Em vez de tentar lidar com tudo por contra própria, lembre-se: diálogo é a chave para manter um relacionamento familiar saudável. Isso tanto no nível emocional quanto no financeiro! Reúna todos para discutir possíveis cortes, se vai ser necessário mudar algum plano até agora e buscar alternativas. Você pode ficar surpreso com algumas ideias.

Além disso, o apoio dessas pessoas pode ser muito motivador em tempos difíceis. A fiscalização mútua com relação aos gastos menos importantes e às prioridades vai ajudar a manter a disciplina e, claro, tornar todo o processo um pouco menos dolorido.

5. Investimentos ideais para quando alcançar o controle financeiro

Com um orçamento minimamente equilibrado e algumas economias, é uma boa hora para pensar em investir um pouco. Assim, você pode alcançar determinados objetivos com rapidez. Basta saber como alocar seus recursos para que rendam mais.

Outro ponto importante aqui é a segurança. Certas aplicações envolvem risco mais elevado, o que pode causar prejuízos no seu orçamento familiar. Desnecessário dizer que essa não é uma boa ideia. Primeiro, você deve reservar apenas uma porcentagem desse dinheiro para investir. Segundo, é melhor buscar opções seguras que rendam acima da Poupança.

Trouxemos 3 modalidades que atendem a esses critérios. Acompanhe!

5.1. Certificado de Depósito Bancário – CDB

Por lei, nenhum banco pode terminar o dia no negativo. Mas, com os serviços de crédito, isso nem sempre é possível. Para evitar esse tipo de problema, os bancos emitem certificados, os CDBs, para se capitalizarem antes do fechamento. Como investidor, você pode comprar esses títulos, fazendo um empréstimo ao banco, e receber seu dinheiro de volta com juros após o período acordado.

5.2. Letras de Crédito Imobiliário – LCI

São títulos de crédito usados para bancar o mercado de imóveis. Assim como o CDB, é um empréstimo que você faz a uma instituição financeira, mas com uma garantia diferente. Após um período fixo, sua família recebe o dinheiro de volta com o investimento adicional.

5..3. Letras de Crédito do Agronegócio – LCA

Basicamente, são iguais às LCIs, mas os recursos são destinados a financiar o setor agrícola. Após um período determinado, você recebe seu retorno, tudo da mesma forma. Mas a rentabilidade pode variar, já que o mercado agrário e imobiliário são bem diferentes.

Com todas essas informações, você já está mais que pronto para dar conta do seu orçamento familiar. Se achou essas dicas úteis, que tal apresentá-las para outras pessoas? Compartilhe este conteúdo em suas redes sociais e mostre como é possível equilibrar as contas em conjunto com os entes queridos.