Uma das dificuldades de quem tem filhos é estabelecer uma boa mesada educativa e introduzir conceitos sobre finanças na vida das crianças.

O primeiro instinto dos pais pode ser determinar uma quantia grande demais ou muito pequena, colocando em risco o processo de aprendizado da criança ou mesmo a segurança financeira da família.

Portanto, a mesada educativa dos seus filhos deve ser pensada estrategicamente, respeitando alguns pontos, a fim de ensiná-los a lidar com o próprio dinheiro. Continue lendo e saiba como fazer isso!

Defina qual será a função da mesada educativa

A primeira questão que deve ser definida antes de oferecer uma mesada aos filhos é a função dessa iniciativa.

Muitos pais costumam vincular a mesada ao comportamento. Mas cuidado para não transformá-la em um instrumento de chantagem e condicionar a criança a modificar suas atitudes em função apenas do dinheiro. Ao contrário, elas devem ser guiadas por princípios morais e éticos: é necessário estudar e tirar boas notas apenas porque isso é o melhor para o seu desenvolvimento pessoal, por exemplo.

Portanto, os pais precisam entender que o objetivo é inserir o dinheiro na vida das crianças de forma saudável e ensiná-las a lidar com esses valores sem complicações.

Pense na periodicidade ideal

Apesar do nome, uma mesada não precisa necessariamente ser dada uma vez por mês. Na verdade, a periodicidade dessa iniciativa costuma ensinar muito aos seus filhos.

O mais indicado é determinar a frequência da mesada com base na idade da criança. Conforme ela consegue compreender as datas e a passagem do tempo, o intervalo entre cada recebimento pode aumentar (e o seu valor também).

Dos 6 aos 7 anos, época em que ainda há alguma dificuldade de lidar com o ciclo do tempo, o ideal é dar uma quantia semanalmente. Assim, as crianças aprendem a usar o fim de semana como referência de passagem do tempo.

Dos 8 aos 11 anos, os pais já podem mudar o esquema e dar o dinheiro aos filhos a cada 15 dias. Já a partir dos 11 anos, a criança já consegue lidar melhor com o intervalo de tempo de um mês e tem mais ferramentas para manter sua organização por um período maior. Portanto, a mesada pode assumir caráter mensal.

Leve em conta a faixa etária

Além de influenciar na periodicidade da mesada, a idade dos seus filhos também deverá impactar na quantia que você dará para eles. O ideal é começar com um montante pequeno e aumentá-lo quando a criança compreender o valor do dinheiro e fizer progresso na sua educação financeira.

Os mais novos, de 6 até 10 anos, dificilmente conseguirão lidar com mais do que R$ 30 por vez, então não é recomendável ultrapassar tal limite. Conforme entram na adolescência, a mesada pode subir acompanhando o aumento de responsabilidade.

Considere o padrão de vida da família

Muitos pais têm o ímpeto de acompanhar o que os amigos dos filhos ganham. O problema é que cada família é única e nem todas têm as mesmas condições. É muito importante que a mesada dos seus filhos se encaixe confortavelmente no orçamento.

O recomendável é respeitar os limites das receitas da família. As crianças aprendem mais vendo o exemplo do que com discursos e teorias. Portanto, se você quer ensinar seus filhos a ter responsabilidade financeira, deve praticar esse conceito no seu cotidiano.

Aliás, essa é uma ótima oportunidade de aprendizado. Chame-as para acompanhar o planejamento do orçamento e ensine como a mesada delas é calculada, cabendo no padrão da família.

Assim, seus filhos saberão cuidar do próprio dinheiro da mesma maneira que os pais fazem com as finanças da casa.

Faça um levantamento dos gastos fixos da criança

Ainda antes de se sentar com seus filhos para explicar a mesada que eles receberão, você deverá fazer um levantamento inicial de todos os gastos fixos relacionados a eles.

A ideia é ter uma noção de quanto dinheiro é movimentado pelas crianças mensalmente e saber como esse valor é gasto.

Veja um exemplo abaixo, de um menino de 9 anos:

  • escola: R$ 800;
  • alimentação: R$ 300;
  • plano de saúde: R$ 300;
  • vestuário: R$ 150;
  • jogos e passeios: R$ 150;
  • esporte: R$ 120.

Nesse exemplo, vimos que o gasto mensal com a criança é de R$ 1.820 e temos um controle maior do que será responsabilidade dela quando a mesada chegar.

Estabeleça quais serão as responsabilidades da criança

Com o levantamento dos gastos em mãos, chegou a hora de definir quais serão as responsabilidades que seus filhos terão com as mesadas.

Como vimos acima, existem vários tipos de gastos na vida de uma criança. Os compromissos com educação, saúde, vestuário e alimentação devem sempre ser de responsabilidade dos pais até o filho ficar adulto.

Entretanto, é necessário ensinar as crianças a evitar os gastos supérfluos, inserindo essa consciência aos poucos de acordo com seu crescimento e aumento de responsabilidade financeira. No começo, dos 6 aos 10, o ideal é deixar que elas usem a mesada para comprar gibis, doces, jogos, brinquedos e outros itens parecidos.

Quando entrarem na adolescência, eles devem começar a assumir responsabilidades maiores, como pagar as saídas com os amigos, peças de roupa mais caras que eles quiserem ter e até presentes para os familiares no Natal ou datas comemorativas.

Assuma o papel de orientador financeiro

A função dos pais na educação financeira dos filhos não se resume a dar uma mesada. Não se esqueça de que você deverá orientá-los enquanto eles aprendem a lidar com dinheiro.

Muitas vezes, eles cometerão erros e você deve decidir entre intervir ou deixá-los resolver sozinhos. É importante que enganos básicos sejam cometidos para que a criança conheça na prática algumas lições financeiras. Mas é claro que os pais devem estar por perto a fim de ajudar nessa fase.

Além disso, é papel do orientador financeiro ensinar a criança a poupar. O mais recomendado é separar 20% do valor mensal. Esse acúmulo pode ser usado para comprar um jogo, roupa ou brinquedo, ou mesmo destinado a investimentos em nome dela.

Agora que você já aprendeu como definir uma mesada educativa para os seus filhos, que tal compartilhar este artigo nas suas redes sociais? Marque os amigos que também estão passando por essa situação. Quem sabe não saem boas conclusões dessa discussão?

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